Por outro lado, a pré-época costuma ter uma relação frígida connosco. Sim, é nela que os nossos rivais da 2ª circular costumam conquistar os únicos troféus (?!) das respectivas temporadas. É só nela que os adeptos dos nossos rivais depositam novas expectativas, deliram com as novas contratações, enchem o peito de presunção e água benta e gritam "é este ano!!!". Para um Portista, a pré-temporada é quase como um gasto de tempo desnecessário (de forma metafórica claro, longe de mim desprezar a importância de uma boa pré-temporada para entrosar o plantel, etc.). Geralmente, com o escudo de campeões nacionais ao peito, rimo-nos com a presunção dos nossos rivais e aguardamos ansiosamente o princípio do campeonato, quando a bola começa a rolar a sério e vamos para dentro de campo mostrar o quão melhores somos.
Mas esta pré-época tem sido muito peculiar e distinta, em diversos aspectos. Em primeiro lugar, não fomos Campeões. E sim, isto é uma notícia. E como tal, a pré-época com a qual posso tecer alguma comparação é a de 2010/2011, a última que tivemos com este sabor amargo. E é curioso reparar que apesar de a nossa época de 2009/2010 ter sido menos má do que a de 2013/2014, e de a temporada transacta do nosso principal rival ter sido melhor do que a respectiva anterior, as expectativas de início de época de 2010/2011 são muito distintas do que as de agora.
Decorria Agosto de 2011. O Porto, na altura com um jovem treinador, acabado de vir da Académica (e já contestado por não ter qualquer experiência) e com uma pré-época muito irregular, com um empate com uma equipa dos escalões inferiores da Alemanha e 2 derrotas seguidas com PSG e Bordéus, defrontava o todo-poderoso carnide , campeão nacional da época anterior, e que tinha feito uma fantástica e gloriosa pré-época ao leme do grandiosíssimo mestre da tática, e que dizia que seria difícil parar a sua equipa, candidata a vencer a Champions. Jogava-se a Supertaça, no Estádio de Aveiro. Para eles, a vitória era algo certo, e iam finalmente inverter o ciclo da nossa hegemonia... falava-se em goleada! Para Nós, mesmo que sempre optimistas e incentivando a equipa, seria um jogo muito complicado... Lembro-me de me deslocar ao estádio de Aveiro, camisola vestida e bilhete na mão, confiante como sempre no meu Porto, mas sem qualquer problema em admitir que, na altura, o rival era favorito.
O resultado todos sabemos. Vencemos categoricamente o nosso rival nesse jogo por 2-0, com uma exibição fantástica, fruto de muita entrega, muita garra, vontade de vencer (o famoso "grito de revolta"), e esse jogo foi, sem dúvida nenhuma, um ponto chave na época. Não só nos deu uma grande injecção de confiança, como colocou todo um ponto de interrogação no momento de forma deles. E 2010/2011 tornou-se numa das melhores épocas que já vivi enquanto Portista. E não foi ao acaso. Foi fruto de todo um espírito de união, coesão, apoio à equipa, fome de resgate, e, acima de tudo, HUMILDADE!
Humildade, sim. Um contrasenso agora que passo a batata quente para a pré-época 2014/2015. Se é verdade que tenho gostado da forma como atacamos o mercado, é. Se é verdade que tenho gostado muito da forma de trabalhar de Lopetegui e da sua exigência e profissionalismo, é. Se é verdade que PARECE que o nosso maior rival está a cometer os mesmos erros de outros anos ao liquidar muitas pedras base da equipa que os levou às vitórias na época passada, é. Mas isso não me parece, a mim, Portista e optimista, confiante, por natureza, motivo para as euforias constantes a que vinha assistindo durante toda esta pré-temporada. Os papéis parecem estranhamente invertidos... e isso em nada me apraz. É preciso relembrar que é de fora para dentro de campo que se passa toda uma mensagem. E a mensagem que é preciso passar, do primeiro ao último minuto desta temporada, é a mensagem humilde e desejosa de que há uma missão a cumprir : recuperar o título de Campeão Nacional.
O jogo de apresentação foi, olhando para ele com a frieza necessária, o melhor que podia ter sucedido no Dragão (belissimamente composto - aliás, foi arrepiante a moldura humana quer desse jogo, quer da despedida do Mágico Deco) naquele dia. Água na fervura. Reposição de expectativas. Call to arms. Fall from grace. Chamada ao planeta Terra. Waking up. No more smoke & mirrors. Cautela e caldos de galinha. No excitement. Nada de vitórias antecipadas. Nada de egos desmedidos. Trabalho, MUITO trabalho. E APOIO, MUITO APOIO À EQUIPA (os assobiadores de serviço são seguramente os mesmos que achavam que por nos termos reforçado bem já tinhamos que ganhar a Champions com 10-0 de goleada em todos os jogos).
Nem 8, nem 80. Confiança, na medida certa. Apoio, incondicional. Mas pés bem assentes na terra. Como diz a música, conquistar a lua com os pés no chão. Porque nada se faz de um dia para o outro. Temos uma equipa para construir e para consolidar. A pouco e pouco. Eu acredito que estamos no caminho certo!
Nem 8, nem 80. Confiança, na medida certa. Apoio, incondicional. Mas pés bem assentes na terra. Como diz a música, conquistar a lua com os pés no chão. Porque nada se faz de um dia para o outro. Temos uma equipa para construir e para consolidar. A pouco e pouco. Eu acredito que estamos no caminho certo!