terça-feira, 13 de maio de 2014

O meu cantinho / Um novo começo (a todos os níveis!)

3 anos passaram desde a última vez que aqui escrevi.

Por sorte, dirão alguns - por ser adepto do FC Porto, direi eu, decidi criar este cantinho em 2011, naquela que foi uma das melhores épocas, senão a melhor, que assisti enquanto adepto. Fomos Campeões Nacionais. Invictos. Zero derrotasUm total de 27 vitórias e 3 empates em 30 jogos. Vencemos por 5-0 o nosso maior rival em casa, e jamais esquecerei o que foi viver isso ao vivo. Fomos Campeões em casa deles. Vencemos a Taça de Portugal, após termos eliminado o nosso rival numa épica meia-final a 2 mãos em que recuperámos, no terreno deles, de uma desvantagem de 2 golos trazida do Dragão. Isto sem esquecer, diga-se, uma final inesquecível - 6-2 ao Vitória numa tarde de muito, muito calor, em que marquei presença no Jamor. E marquei presença no Jamor após ter regressado, no dia anterior de Dublin. Jamais esquecerei os passeios pela cidade, as aventuras na noite irlandesa, os Guiness bebidos no Temple Bar... mas acima de tudo, jamais esquecerei o orgulho e a felicidade que carregava por poder gritar aos quatro ventos que assisti a uma final europeia do FC Portoaliás, que vi o FC Porto erguer a Liga Europa mesmo perante os meus olhos.

Quatro troféus erguidos no futebol essa época, quatro campeonatos (o pleno) conquistados nas modalidades colectivas. Futebol, Andebol, Basquetebol, Hóquei em Patins. Todas estas modalidades respiraram azul e branco. Estive em Águas Santas, na celebração do Tri-Campeonato de Andebol, assim como já tinha estado semanas antes no Sá Leite, em Braga (numa vitória importantíssima), ou nos triunfos em casa contra os rivais. Estive em todos os jogos em casa dos play-off dos Campeões de Basket, comandados por um Senhor que respira o Portismo como muito pouca gente (grande MONCHO!), estive em jogos importantes para a conquista do DECA Campeonato de Hóquei em Patins, como a deslocação a Ponte de Lima e a Barcelos (que, como de costume, é bem quentinha...), e o jogo da consagração diante da Oliveirense. Isto tudo enquanto o nosso rival, além de todas as humilhações sofridas ao longo da época no que toca ao futebol, somava um total de zero campeonatos conquistados em todas as modalidades (sim, também vibrei com o Fonte do Bastardo no voleibol).

"Por que estás tu a escrever isto agora?" - perguntarás tu, que estás a ler este texto. Escrevo-o porque quero voltar ao meu cantinho. O meu local de desabafo, onde sou feliz a falar de ti, meu PortoEscrevo porque o meu amor por ti é incondicional. Escrevo porque se foi fácil escrever durante a melhor época que já vivi, não vai ser a pior época que já vivi que me vai fazer virar-te as costas. Nunca.

Sabes, Porto, escrevo porque tenho tanto amor por ti lá dentro, que às vezes preciso mesmo de o soltar um bocadinho cá para fora. De o exteriorizar. Sim, sabes bem que o faço por esses estádios e pavilhões fora. Mas aí, mais que desabafar, eu luto contigo, ou por ti. Mas não chega. Eu dou por mim a passar horas a fio a sonhar acordado contigo. A reviver velhas conquistas, ou a imaginar cegamente outras que estão para vir. Ou então a lembrar-me de coisas que correram mal e a tentar mudar o filme na minha cabeça, empurrando as bolas que teimaram em não entrar. Eu, que raramente sei o que é chorar, dou por mim a derramar lágrimas de emoção apenas por me lembrar de ti. Foste tu que, aos meus 12 anos de idade, me fizeste saber aquilo que era, pela primeira vez, chorar de alegria, com aquele golo do Derlei na final de Sevilha.

Mas também já chorei muita baba e ranho de tristeza por ti, Porto. Aquela eliminação com o Schalke em 2008, em que fizeste tudo mas não chegou. Aquele golo do Ricardo Moreira 1 segundo depois da buzina, em 2010, contra o Dinamo Minsk, no apuramento para a Champions de andebol, com o Dragãozinho a rebentar pelas costuras. Aquela final europeia de hóquei no ano passado....

E se em 2011 eu rejubilava felicidade por que tu ma estandeste, de mão aberta, este ano as coisas foram diferentes. Sabes bem que ando triste. Posso tentar disfarçar, olhando para muita coisa boa que tenho na vida. Mas sabes bem que se tu não estiveres bem, eu não consigo ser feliz. Vou mais longe ainda: se tu desapareceres, então estou condenado ao sofrimento. E porque digo eu semelhante coisa? Porque este ano senti-te, pela primeira vez, a querer largar-me a mão. Não, não foram só as derrotas, Porto. Eu vivi os 3 anos (1999-2002) seguidos sem ser Campeão. Vivi a tortura que foi 2005, e vi pela primeira vez os outros serem melhores que nós em 2010. Mas este ano, Porto, tu não foste fiel a ti próprio. Não te entregaste. Não retribuíste o amor que eu - e milhares como eu - sentem por Ti. Não, não falo daqueles que passam o ano a falar mal de ti e depois são os primeiros a sair à rua quando ganhas. Falo daqueles que te estendem a mão, todos os dias, como eu.

Houve um jogo este ano que me marcou particularmente. A época já estava péssima, como tu sabes, embora ainda me tentasses esconder isso dizendo que havia coisas por conquistar. Eu confiei em ti. Festejei o teu golo de forma efusiva, vigorosa, como sempre. Tinhas mais uma unidade em campo e 2 golos de vantagem. Eles estavam - corrijo, são - traumatizados connosco. Porque eles sentiam que mesmo a época estando a correr-lhes de feição que tu, nos momentos decisivos, nunca falhas(vas). Que tu mostras(vas) sempre o teu Orgulho, nem que este estivesse ferido. Que lutas(vas) até à tua última gota de suor. Não consigo falar mais desse jogo, porque digo-te que em mais de 14 anos a ver desporto contigo eu senti, pela primeira vez, o travo amargo da humilhação. Sim, já te vi sucumbir perante o City, ou a ser goleado pelo Arsenal. Mas nunca vi uma equipa deles, num jogo de tudo ou nada para ti, jogar sem MEDO de ti. E foste tu que lhes deste essa confiança. Foste tu que os deixaste acreditar. Foste tu que os embalaste. Caramba, Porto, não percebeste o quão importante era cortar-lhes as pernas naquele dia?

Temos um novo começo em breve (atenção, ainda há um Hexa para conquistar no Andebol, e um bi-campeonato + taça de portugal em Hóquei!). Sabes bem que muita coisa tem que mudar. Que tens de exigir mais de ti próprio, desde o primeiro minuto de trabalho da pré-época. Que eles vão estar fortes embora excitados porque não sabem o que é ganhar de forma consistente, e que até eles já conseguiram este ano ficar à tua frente (onde é que isto já se viu?). Sabes também, melhor que ninguém, que para os vencer não basta sermos mais fortes. Temos que ser muito mais fortes. E por isso, Porto, deixa-me estender-te a minha mão. Não a largues nem por um único segundo. Deixa-me ajudar-te a levantar-te bem alto. Fazer desta queda apenas um percalço sem exemplo. Porque com milhares de mãos como a minha estendidas, só depende de ti que isso aconteça. Ouviste?


"I will race you to the waterside
And from the edge of Ireland shout out loud
So they can hear it in America

IT'S ALL FOR YOU!!!!!!!!!"



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