Há algo particular no Dragãozinho diferente do Dragão, e sinto que é este algo que faz inclinar a minha preferência para o primeiro: todo o pavilhão, sim, todo, está com a nossa equipa. Seja ela de andebol, basquetebol ou hóquei em patins. Sejam os 500 espectadores de um jogo normal de campeonato, ou os mais de 2000 que enchem o pavilhão num jogo que pode valer o título. Ninguém maltrata ou desrespeita aos nossos. Não há tréguas para os adversários. As más decisões das equipas de arbitragem (como o assinalar de uma falta atacante ao Ferraz por ter sido agredido com uma cotovelada.......) são punidas e não são deixadas para segundo plano. Quando o Ferraz perdeu uma bola que deu um contra-ataque ao adversário, quando o Moreira falhou um livre de sete metros, quando o Schubert falhou 2 remates seguidos na ponta, ninguém os assobiou. Foram, aliás, incentivados.
Eu sei que o Dragãozinho tem pouco mais de 2000 lugares de capacidade, e o Dragão tem mais de 50 mil. Mas gostava de poder explicar isto a muita boa gente que se cruza comigo no Dragão, jogo após jogo. A todos os que assobiam o Helton por demorar mais de 2 segundos a marcar um pontapé de baliza aos 3 minutos. Aos que assobiam ao 1º passe falhado, ou que assobiam a equipa por congelar o jogo e chamar o adversário quando estamos a ganhar 2-0. Aos que ignoram os sucessivos roubos das equipas de arbitragem porque "como não estamos a jogar bem não os podemos criticar".
Não me quero alongar muito sobre o assunto porque é algo de constante debate no Universo Portista. Mas não é algo a que eu consiga passar ao lado. Contudo, jogos como o de ontem aquecem o meu Coração. Sim, ganhámos e somos HEXA-Campeões Nacionais de Andebol - um feito inédito na modalidade - e todos sabemos o quanto amamos ver o nosso Clube a vencer. Mas não é disso que falo. Falo de ver um conjunto de jogadores dentro de campo identificado com os valores do nosso Clube, a lutar contra tudo e contra todos, até à última gota de suor. A superar todos os obstáculos de uma época desportiva. Um treinador no banco que exige o máximo dos seus jogadores. E, acima de tudo, mais de 2000 almas Portistas a empurrar a equipa para a vitória de forma arrepiante. Ontem, como sempre no Caixa, houve mística. Porque lá, respira-se Porto.
(muito obrigado ao Guerreiros da invicta por esta amostra magnífica)

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